Para os fãs da série ’24 Horas’, começou a contagem regressiva para a nova temporada, que estreia nesta segunda nos Estados Unidos e na terça aí no Brasil.
Visitei o set de gravações em Londres e conversei com os atores da série, entre eles o protagonista, Kiefer Sutherland, que interpreta o agente Jack Bauer (leia aqui reportagem publicada ontem na Ilustrada)
Abaixo, dá para ouvi-lo (em inglês) e ler alguns trechos em português do que ele contou:
Folha – Por que decidiram gravar uma nova temporada?
Kiefer Sutherland:
“Fazer uma nova temporada não começou comigo, mas com o Howard Gordon, que teve a ideia (…) E então isso foi crescendo e ele chegou no ponto que queria botar no papel. (…) Recebi uma ligação e ele disse: ´Eu tenho uma ideia fantástica, quero contar em 12 episódios, não em 24, e cada um continuará em tempo real’. (..) Eu estava intrigado e conversamos sobre isso. Levamos dez minutos. E ele disse: ‘nós trabalhamos oito anos juntos e você honestamente não acha que temos potencial para fazer a melhor temporada de 24h? Com certeza. (…) Então concordamos, fui tocar minha vida e ele passou seis meses escrevendo. Eu fiquei morrendo de medo. Não acho que nenhum de nós sentiu ter feito a perfeita temporada de 24h, mas estávamos orgulhosos de todas. Quando terminamos as oito, sentimos que tínhamos realmente cumprido algo sem necessidade de retomar (..) foram seis meses tensos, eu lembro que não tínhamos ainda dois dias de gravação e comecei a perceber que na verdade isso poderia ser realmente especial e me senti mais forte depois do material que começou a ser feito.”
Por que escolheram Londres?
Sutherland:
“Além de uma linda cidade, é onde a língua seria viável por causa do inglês e nos ajudaria em nosso contexto. Lembre-se que, nos últimos cinco minutos do último episódio da última temporada, Jack Bauer recebeu o prazo de 15 minutos do presidente dos EUA para desaparecer e na última cena você vê a Chloe desligando as câmeras de seguranças e ele desaparece. Você não sabe se ele deixou o país, foi preso, o que ocorreu. Agora, no contexto da história, mostra-se que ele conseguiu deixar o país, chegou à Europa e começou a trabalhar. O que ocorreu nesses quatro anos será explicado durante a temporada. Por isso é Londres. E também porque o presidente dos EUA vem a Londres para uma reunião com o primeiro-ministro britânico e uma ameaça ocorre para a vida do presidente. Jack Bauer ressurge do esconderijo porque descobre essa ameaça.”
Na sua opinião, Jack Bauer é um herói, um ídolo? Muitos no Brasil o consideram assim.
Sutherland:
“Eu já ouvi isso, pessoas me disseram que eles (brasileiros) amam o personagem. Há certos aspectos admiráveis nele, não é um cara mau (…) É um homem que comete erros, mas reconhece que os está cometendo. Mas é fundamental que esse cara é colocado nas mais difíceis e ilimitadas circunstâncias possíveis e forçado a tomar decisões que nenhum de nós realmente quer tomar. Uma delas é deixar morrer 10 pessoas para salvar 100, é uma questão invencível. E é isso que trata a série, que leva as pessoas a assistirem. (…) É um difícil personagem que está sempre fazendo o que ele acredita ser certo e, algumas vezes, não é.”
Definitivamente, é a última temporada?
Sutherland:
“Sim, eu acredito que sim. Qualquer coisa é possível, mas há algumas coisas que eu quero fazer (…) veremos a resposta da audiência, como reage quem escreve. O certo agora é que estamos focados nesses 12 episódios.”
A nova temporada trata de terrorismo islâmico?
Sutherland:
“Não especificamente. Não acho que seja algo baseado em questão religiosa, a pessoa por trás disso é britânica, definitivamente uma terrorista, que remonta ao Oriente Médio (…) é mais por causa da dívida da morte do marido dela. Não quero falar muito, mas a morte do marido dela servirá para retaliação ao governo americano no poder agora. Se é que isso faz sentido.”